{"id":115,"date":"2021-09-29T21:18:37","date_gmt":"2021-09-29T21:18:37","guid":{"rendered":"https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/tristestropicos\/?p=115"},"modified":"2021-11-26T11:33:17","modified_gmt":"2021-11-26T11:33:17","slug":"a-aurora-e-apenas-o-inicio-do-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/tristestropicos\/2021\/09\/29\/a-aurora-e-apenas-o-inicio-do-dia\/","title":{"rendered":"A aurora \u00e9 apenas o in\u00edcio do dia&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8230; o crep\u00fasculo \u00e9 sua repeti\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"424\" height=\"423\" src=\"https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/tristestropicos\/files\/2021\/09\/Timeo-e1632945661119.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-118\" srcset=\"https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/tristestropicos\/files\/2021\/09\/Timeo-e1632945661119.jpeg 424w, https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/tristestropicos\/files\/2021\/09\/Timeo-e1632945661119-300x300.jpeg 300w, https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/tristestropicos\/files\/2021\/09\/Timeo-e1632945661119-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap\">Com essa frase o c\u00e9lebre etn\u00f3logo franc\u00eas fecha o primeiro par\u00e1grafo duma reflex\u00e3o sobre o p\u00f4r de sol que se encontra no s\u00e9timo cap\u00edtulo de sua obra <em>Tristes Tr\u00f3picos<\/em>. Portanto, esta reflex\u00e3o se destaca do resto do livro por ter sido escrita em 1935 durante sua primeira passagem n\u00e1utica para o Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>De fato, estas p\u00e1ginas iam formar o in\u00edcio dum romance que L\u00e9vi-Strauss concebeu ao voltar do Brasil \u00e0 Fran\u00e7a em 1939, como ele revela numa das \u00faltimas entrevistas que ele concedeu a <em>Boris Wisman <\/em>em 28 de novembro 2003 e que foi publicada um ano depois na revista <em>Les Tempes Modernes<\/em>. Ela afirma que &#8222;eu havia come\u00e7ado e depois abandonei o romance. <em>Tristes Tr\u00f3picos <\/em>veio 15 anos depois&#8220;. Um dos t\u00edtulos desse romance ia ser precisamente <em>Tristes Tr\u00f3picos<\/em> e ao incluir estas linhas na sua obra do mesmo t\u00edtulo, ele devolveu &#8222;essa descri\u00e7\u00e3o a sua verdadeira origem&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Este detalhe, por\u00e9m, por mais insignificante que pare\u00e7a, faz parecer a decis\u00e3o da <em>Acad\u00e9mie<\/em> <em>Gancourt<\/em> de n\u00e3o premiar <em>Tristes Tr\u00f3picos <\/em>por n\u00e3o ser uma obra de fic\u00e7\u00e3o ainda mais prec\u00e1ria, j\u00e1 que a inten\u00e7\u00e3o original do L\u00e9vi-Straus foi exatamente essa: escrever um romance. <\/p>\n\n\n\n<p>Gostar\u00edamos acrescentar uma observa\u00e7\u00e3o com respeito a este trecho do texto. Com esse fim parece nos \u00fatil citarmos primeiro a frase em quest\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Para<\/em> <em>os cientistas, a aurora e o crep\u00fasculo s\u00e3o um s\u00f3 fen\u00f3meno e os gregos pensavam o mesmo, j\u00e1 que os designavam com uma palavra diversamente qualificada caso se tratasse da tarde ou da manh\u00e3.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui L\u00e9vi-Strauss recorre ao grego cl\u00e1ssico para por em relevo uma ideia sua, alegando que os gregos teriam tido uma s\u00f3 express\u00e3o para os dois fen\u00f3menos celestiais. Mas de fato tem no m\u00ednimo tres palavras associadas. <br>A mais comum e certamente a mais conhecida est\u00e1 ligada \u00e0 deusa do amanhecer <em>Eos<\/em>. Portanto est\u00e1 aparentado \u00e0 <em>Aurora <\/em>latina. Os dois nomes prov\u00eam de uma raiz indo-europeia <em>*h<sub>2<\/sub>wes- <\/em>que indicava precisamente este fen\u00f3meno matutino. E, por extens\u00e3o sem\u00e2ntica, esta raiz chegou a se conservar nas express\u00f5es germ\u00e2nicas <em>Osten<\/em> e <em>Ostern <\/em>(leste e p\u00e1scoa respetivamente). <br>Ora, a outra palavra grega que indica o momento da alvorada \u00e9 \u1f21 \u1f44\u03c1\u03b8\u03c1\u03bf\u03c2 <em>&#8218;i \u00f3rthros&#8216;<\/em> que continua uma raiz indo-europeia <em>*h<sub>3<\/sub>erd<sup>h<\/sup>&#8211; <\/em>&#8218;erguer-se&#8216;. Encontramos este lexema tanto no latim <em>oriens<\/em> (leste) quanto em <em>arbor <\/em>(arvore) e sobretudo na palavra <em>ortogr\u00e1fia <\/em>(a escrita correta). <br>J\u00e1 a ultima express\u00e3o a ser mencionada \u00e9 \u03c4\u1f78 \u03ba\u03bd\u03ad\u03c6\u03b1\u03c2 <em>&#8218; to kn\u00e9fas&#8216;<\/em>, que designa o crep\u00fasculo. Esta palavra n\u00e3o parece ser de origem indo-europeia, j\u00e1 que n\u00e3o se econtravam palavras cognatas em outras l\u00ednguas. <br><\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, gostar\u00edamos de ressaltar que esta pequena reflex\u00e3o n\u00e3o tenta invalidar o enunciado de L\u00e9vi-Strauss. Entretanto, n\u00e3o se p\u00f4de deduzir a qu\u00ea express\u00e3o ele se refer nesta sua descri\u00e7\u00e3o do p\u00f4r de sol. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230; o crep\u00fasculo \u00e9 sua repeti\u00e7\u00e3o. Com essa frase o c\u00e9lebre etn\u00f3logo franc\u00eas fecha o primeiro par\u00e1grafo duma reflex\u00e3o sobre o p\u00f4r de sol que se encontra no s\u00e9timo cap\u00edtulo de sua obra Tristes Tr\u00f3picos. 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