Cátedra Carlos de Oliveira Colóquio virtual

Eduardo Jorge de Oliveira

Como se orientar no povoamento (uma leitura de Finisterra)

Parodiando o célebre texto de Immanuel Kant, Como se orientar no pensamento? (Was heisst: sich im Denken orientieren?), a leitura Finisterra – Paisagem e povoamento (1978) tem por objetivo apresentar “um esquema topográfico geral” proposto por Carlos de Oliveira para guiar o seu leitor a fim de evitar-lhe tropeções no romance. Kant escreveu que “na escuridão (Im Finstern), eu me oriento em uma sala que conheço, apenas se eu puder tocar em um único objeto cuja localização tenho em minha memória”. Carlos de Oliveira, por sua vez, em duas sentenças, reinventa a lição do filósofo alemão: “Calcular com rigor o espaço em que posso mexer-me, a distância entre as coisas, o sítio certo das cadeiras. Andar altas horas através da casa: às escuras e sem tropeções” (1981 [1978]: 6) e “Andar altas horas através da casa: às escuras e sem tropeções. Trabalho de paciência e rigor. Construo um esquema topográfico geral e pratico-o de olhos fechados até transformá-lo num simples dado de memória” (1981 [1978]: 89). À luz de uma proposta de orientação e do amor ao detalhe [ “amo ( e isto significa: distingo) um objecto”, p. 106], será analisada a passagem da topografia à memória em Finisterra.  

Eduardo Jorge de Oliveira é professor assistente em Estudos brasileiros (Literatura, Cultura, Media) no Seminário de Romanística da Universidade de Zurique. Autor de A invenção de uma pele. Nuno Ramos em obras (Iluminuras, 2018), Signo, sigilo: Mira Schendel e a escrita da vivência imediata (Lumme Editor, 2019)/ Beschweigen, BezeichnenMira Schendel und die Schrift unmittelbaren Erlebens (Trad. Melanie Strasser, Diaphanes, 2020). Realizador dos filmes: Alegria que vem (com Maria Filomena Molder e Jean-Luc Nancy, 2018) e Uma alegria animal (com Jean-Christophe Bailly e Muriel Pic, 2020).   

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