{"id":191,"date":"2020-05-06T09:41:48","date_gmt":"2020-05-06T09:41:48","guid":{"rendered":"https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/amazonia\/?p=191"},"modified":"2020-05-06T09:43:17","modified_gmt":"2020-05-06T09:43:17","slug":"podcast-9-a-amazonia-das-mil-e-uma-noites","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dlf.uzh.ch\/sites\/amazonia\/2020\/05\/06\/podcast-9-a-amazonia-das-mil-e-uma-noites\/","title":{"rendered":"PODCAST 9 &#8211; A Amaz\u00f4nia das mil e uma noites"},"content":{"rendered":"<p>A Amaz\u00f4nia como um territ\u00f3rio real, imagin\u00e1rio ou h\u00edbrido possui uma base ut\u00f3pica no sentido de ser uma inven\u00e7\u00e3o que data de quatro s\u00e9culos e na abertura que o imagin\u00e1rio proporciona em termos de uma orientaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, o que a deixaria duplamente ex\u00f3tica se consideramos uma Amaz\u00f4nia oriental. O argumento se divide em duas partes: a primeira \u00e9 que a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o que permite uma fabula\u00e7\u00e3o h\u00edbrida e ramificada. A segunda \u00e9 que existe uma dimens\u00e3o oriental que estabelece uma esp\u00e9cie de afinidade com As mil e uma noites. Nessa dimens\u00e3o hist\u00f3rico-ficcional as noites da floresta s\u00e3o infinitas e n\u00e3o pertencem aos homens que, como podem, se apropriam dessa escurid\u00e3o pela imagina\u00e7\u00e3o e reproduzem as mais diversas hist\u00f3rias. Esses argumentos t\u00eam como ponto de partida o livro de Simone de Souza Lima: Amaz\u00f4nia Babel. L\u00ednguas, fic\u00e7\u00e3o, margens, nomadismos e res\u00edduos ut\u00f3picos (2014). O estudo mostra que a Amaz\u00f4nia \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o que data do s\u00e9culo XVI e que encontra uma cristaliza\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX com tr\u00eas narrativas: A Amaz\u00f4nia Misteriosa, de Gast\u00e3o Cruls, de 1925; Macuna\u00edma, de M\u00e1rio de Andrade, de 1928, e Terra de Icamiada, de Abguar Bastos, de 1930. Conforme afirma Simone de Souza Lima, muito embora exista refer\u00eancia ao Relato de Viagem do Frei Gaspar de Carvajal, em viagem pela regi\u00e3o entre fevereiro de 1541 a setembro de 1542, a express\u00e3o Amaz\u00f4nia, no estudo de Francisco Bento da Silva \u2013 com refer\u00eancia \u00e0 ampla regi\u00e3o que hoje d\u00e1 ch\u00e3o e acolhe v\u00e1rios estados brasileiros \u00e9 tardia. (p. 25), segundo a autora. Conv\u00eam ressaltar que os estudos de Alberto Rangel e Euclides da Cunha tamb\u00e9m contribu\u00edram para a denomina\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o amaz\u00f4nico, que foi constitu\u00eddo a partir de um olhar exterior, como afirma a autora: \u201cN\u00e3o obstante \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o do discurso fundador de Carvajal, o termo Amaz\u00f4nia foi sendo forjado com maior for\u00e7a ideol\u00f3gica apenas no final do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo 20, ao que nos parece a partir da contribui\u00e7\u00e3o de escritores como Ingl\u00eas de Sousa, Euclides da Cunha, Alberto Rangel, Peregrino J\u00fanior, Jos\u00e9 Ver\u00edssimo, dentre outros.\u201d (Souza Lima, 2014, p. 25).<br \/>\nhttps:\/\/soundcloud.com\/eduardo-jorge-393472897\/amazonia-mil-e-uma-noiteswav\/s-BBA6Mks1aO8<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Amaz\u00f4nia como um territ\u00f3rio real, imagin\u00e1rio ou h\u00edbrido possui uma base ut\u00f3pica no sentido de ser uma inven\u00e7\u00e3o que data de quatro s\u00e9culos e na abertura que o imagin\u00e1rio proporciona em termos de uma orientaliza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, o que a deixaria duplamente ex\u00f3tica se consideramos uma Amaz\u00f4nia oriental. 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